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Apex Partners: rombo que pode ultrapassar R$ 1 bilhão abala mercado financeiro capixaba

Jeivison Jesus de Sá

19 de ago. de 2026

Apex Partners enfrenta crise financeira com rombo que pode ultrapassar R$ 1 bilhão e bloqueio de bens do ex-presidente. Entenda o caso.

A Apex Partners, uma das maiores plataformas de investimentos do Espírito Santo, enfrenta uma crise financeira cujo rombo pode ultrapassar R$ 1 bilhão. Fundada em 2013 em Vitória, a empresa chegou a administrar mais de R$ 18 bilhões e atender cerca de 8 mil clientes, reunindo um conglomerado de 178 empresas ligadas a investimento imobiliário, capital de risco, consultoria financeira e participações societárias. A companhia também ganhou projeção nacional ao se tornar sócia de 15,5% da CVC, maior agência de viagens do país.


Por que a empresa chegou a esse ponto


A crise veio à tona depois que outros sócios identificaram inconsistências contábeis na companhia e afastaram o fundador, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, do comando. Ao buscar proteção na Justiça do Espírito Santo, a Apex reconheceu um passivo preliminar de R$ 985,6 milhões, valor que estimativas de mercado mais recentes já colocam próximo de R$ 1,4 bilhão. Um juiz da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória chegou a mencionar, em decisão, a existência de um rombo bilionário na contabilidade da empresa, embora a dimensão definitiva do problema ainda esteja sob apuração e auditoria externa.


Atualização: bloqueio de bens e quebra de sigilo bancário de Cinelli


Em 18 de agosto, a Justiça do Espírito Santo determinou, a pedido da própria Apex Partners no âmbito da apuração interna, o bloqueio de bens e a quebra do sigilo bancário de Fernando Cinelli, ex-presidente afastado da companhia. A decisão, do juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, aponta transferências das contas da ABM Partnership Investimentos e Participações (uma das empresas do grupo) para a conta pessoal de Cinelli, em valor estimado de R$ 5 milhões, sem razão jurídica identificada na análise preliminar. A apuração interna da própria Apex já havia identificado outras movimentações que, somadas, superam R$ 23 milhões destinadas a contas do ex-presidente.


Ao conceder a medida, o juiz destacou o risco de dissipação do patrimônio em prejuízo da coletividade de credores. É importante frisar que a decisão tem caráter cautelar e preventivo, tomada em fase inicial do processo e sujeita a contraditório e ampla defesa: o bloqueio não representa condenação nem significa que os bens serão automaticamente destinados aos credores, apenas impede a movimentação do patrimônio alcançado enquanto o processo avança. Cinelli havia sido afastado da presidência em 6 de agosto e, em nota, afirmou disposição de colaborar com as investigações.


O caso também levou à demissão de cerca de 80% do quadro de funcionários da Apex e à suspensão de operações por parte de instituições parceiras. O governo do Espírito Santo já se manifestou publicamente para esclarecer que não possui recursos públicos aplicados na Apex.


O que isso significa para clientes e investidores


Uma recuperação judicial ou uma crise dessa magnitude não extingue automaticamente os direitos de quem investiu recursos na empresa ou em fundos e produtos ligados a ela. Investidores afetados podem ter direito a habilitar seus créditos no processo judicial, buscar informações detalhadas sobre os produtos em que aplicaram e, dependendo do caso, avaliar responsabilização de administradores por eventuais falhas de gestão ou informações incorretas prestadas no momento da contratação.


Quem identificar aplicações em produtos da Apex Partners ou em fundos vinculados ao grupo deve reunir a documentação disponível (contratos, extratos, comprovantes de aporte e comunicações recebidas da empresa) e buscar orientação jurídica para entender qual caminho é mais adequado à sua situação, já que prazos e procedimentos variam conforme o tipo de produto e o estágio em que o caso se encontra.

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