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Braskem pede recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 56 bilhões

Jeivison Jesus de Sá

26 de ago. de 2026

Braskem pede recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 56 bilhões em dívidas. Entenda o mecanismo, os prazos de negociação e os motivos da crise financeira da petroquímica.

A Braskem, maior petroquímica da América Latina, protocolou nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas financeiras estimadas em US$ 10,9 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 56 bilhões pela cotação do dólar do dia. O pedido, aprovado pelo Conselho de Administração da companhia, foi distribuído na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo.


Em comunicado ao mercado, a própria empresa fez questão de esclarecer que a medida tem escopo estritamente financeiro e alcança apenas obrigações quirografárias, dívidas sem garantia real, contraídas junto a bancos e a detentores de títulos emitidos no exterior. As obrigações da Braskem com fornecedores, clientes e demais stakeholders ficam de fora do pedido e seguem sendo cumpridas normalmente.


A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com os credores, sem intervenção prévia do Judiciário, para só depois levar o acordo já fechado à Justiça para homologação. A lei exige adesão mínima de 33% dos credores para que o pedido seja protocolado e apoio de pelo menos 50% mais um para que o plano seja homologado; caso essa adesão não seja alcançada, o processo pode acabar convertido em recuperação judicial.


O protocolo ocorreu justamente quando terminava o prazo de 60 dias de proteção contra execução de credores, concedido em junho pela Justiça paulista. Com o novo pedido, a companhia ganha um período adicional de negociação, de cerca de 90 dias, para tentar fechar um plano de reestruturação com bancos e bondholders, que juntos concentram parte relevante da dívida.


A situação financeira da Braskem é resultado de uma combinação de fatores que se arrasta há anos: a crise do setor petroquímico, marcada por excesso de oferta global e margens reduzidas, o custo bilionário das indenizações relacionadas ao afundamento do solo em Maceió, associado à exploração de sal-gema pela empresa, e a alta da Selic, que encareceu o serviço de uma dívida em boa parte atrelada a moeda estrangeira. O caso é apontado como um dos maiores processos de reestruturação de dívida corporativa do país em anos e ocorre poucos dias depois de a Braskem Idesa, joint venture mexicana do grupo, ter pedido recuperação judicial nos Estados Unidos, no âmbito do Chapter 11.

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