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PIX x EUA Fundamentos geopolíticos da majoração tarifária de 25%

22 de jul.
3 min de leitura

O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, denominado Pix, figura entre os elementos que fundamentaram a imposição, pelo governo dos Estados Unidos, de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A motivação subjacente à medida é de natureza predominantemente geopolítica, e não decorre exclusivamente de disputa concorrencial com operadoras estadunidenses de meios de pagamento, tais como Visa, Mastercard e Whatsapp Pay.

A medida tarifária guarda relação direta com a perda de influência dos Estados Unidos sobre o sistema financeiro brasileiro. O interesse norte-americano em preservar sua posição de controle sobre a infraestrutura financeira internacional explica, em parte, a resistência ao modelo brasileiro, cuja lógica encontra precedente na opção da China por sistemas de pagamento próprios, dissociados de Visa e Mastercard, como expressão de soberania econômica.

A expansão do Pix ampliou o acesso da população brasileira a serviços bancários, produzindo efeitos econômicos favoráveis inclusive a empresas estadunidenses, na medida em que transações antes realizadas em espécie passaram a transitar pelo sistema financeiro formal, com reflexo no acesso a contas bancárias e a linhas de crédito. Nesse sentido, dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços indicam que, no exercício de 2025, as operações com cartão somaram R$ 4,5 trilhões, com crescimento de 10,1% atribuído à expansão do Pix.


Das perdas econômicas imediatas decorrentes da medida


Em razão do superávit comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil, a sobretaxa tende a produzir prejuízo econômico mais expressivo para empresas norte-americanas do que para o Brasil, circunstância que evidencia a subordinação dos interesses econômicos imediatos a uma estratégia de projeção de poder. Trata-se de política externa voltada ao exercício de coerção por meio de sanções e tarifas, com o propósito de induzir a submissão de outros países aos interesses estadunidenses.


Do Pix como instrumento de poder geopolítico


O Pix consolidou-se como instrumento de afirmação de soberania econômica e financeira do Estado brasileiro. A ampliação da autonomia proporcionada pelo sistema permite ao Brasil conduzir transações comerciais internacionais em moedas nacionais, prescindindo da intermediação cambial e da senhoriagem associada ao dólar norte-americano.

O Banco Central do Brasil mantém, ademais, acordos de cooperação técnica com quarenta e sete países para a implementação de sistemas de pagamento análogos ao Pix, circunstância apta a comprometer, em maior escala, o controle exercido por Washington sobre transações financeiras realizadas em outras jurisdições.


Da limitação à aplicação

extraterritorial de sanções


Sistemas nacionais de pagamento, a exemplo do Pix, restringem a eficácia de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos contra instituições e indivíduos, o que não se verifica em relação a sistemas sediados naquele país, os quais se submetem ao cumprimento das determinações da Casa Branca.

Ilustram essa dinâmica as sanções aplicadas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, bem como o embargo econômico imposto a Cuba, hipóteses em que os Estados Unidos exerceram poder sobre Estados soberanos mediante o bloqueio de mecanismos financeiros. O aprofundamento do embargo a Cuba motivou, inclusive, a suspensão das operações de Visa e Mastercard naquele território, circunstância que demonstra a capacidade dos Estados Unidos de impor sanções econômicas a Estados e indivíduos por meio do controle sobre os meios de pagamento.


Da busca por soberania financeira no continente europeu


A revista britânica The Economist consignou que o Pix, a exemplo de outras iniciativas em curso na União Europeia, representaria ameaça à posição de preponderância financeira dos Estados Unidos, com potencial de afetar as margens operacionais superiores a 50% mantidas por Visa e Mastercard, particularmente em razão da relevância do mercado europeu para essas companhias.

Nesse contexto, a União Europeia anunciou a criação do Euro Digital, sistema de pagamentos eletrônicos de acesso público e gratuito, similar ao Pix, cujo projeto piloto tem lançamento previsto para 2027. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, declarou ao portal Euronews que o objetivo da iniciativa consiste em reduzir a dependência de redes de pagamento estrangeiras, notadamente as de origem americana e, em menor medida, chinesa, em favor da autonomia interna do bloco europeu.

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